» » Marina filia-se ao PSB e torna o partido mais forte em nível nacional

A exato um ano das eleições presidenciais, o governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), e a ex-senadora Marina Silva formalizaram neste sábado uma união que provoca uma reviravolta no cenário eleitoral de 2014. Com um capital político de 20 milhões de votos, mas sem uma legenda própria, Marina aceitou se filiar ao PSB de Campos. Ela deverá ser vice na chapa dele ao Palácio do Planalto, mas, oficialmente, essa decisão só será tomada no ano que vem.

"O PSB já tem um candidato que está posto", disse Marina em seu discurso. Mais tarde, em entrevista coletiva, afirmou que apoiará a candidatura dele, mas tergiversou quando questionada diretamente se será a vice: “Não sou uma militante do PSB, sou militante da Rede Sustentabilidade, e a Rede ainda não fez essa discussão de se vai ter vice ou não vai ter vice. O PSB já fez sua discussão e tem um candidato”. Segundo aliados de Marina e Campos, apesar do discurso cuidadoso, o governador também não descartaria abrir mão da cabeça da chapa caso sua pré-candidatura não decole nas pesquisas - segundo o último Datafolha, ele tem 8% das intenções de voto, ante 26% dela.

A coalizão nasce com o propósito de tentar viabilizar uma “terceira via” à polarização entre PT e PSDB, que dominam a disputa nacional desde 1994. Tanto Campos quanto Marina são ex-ministros do governo Lula. Ambos saíram fortalecidos das eleições de 2010: ele foi reeleito governador com expressivos 82% dos votos e viu seu PSB ganhar musculatura no Congresso Nacional. Já Marina saiu das urnas com 19,33% dos votos válidos para a Presidência da República. Em seus discursos na tarde de hoje, os dois repisaram o mesmo bordão: "Vamos acabar com a velha política".

"Estamos quebrando uma falsa polarização que precisa ser quebrada na política brasileira", disse Campos. “Quem quis nos colocar fora do processo, hoje está refazendo as contas.”

Rede - A decisão de Marina em aderir ao PSB foi costurada após sucessivas reuniões nas últimas 48 horas, depois que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) rejeitou o registro partidário para a Rede Sustentabilidade, idealizada por ela para disputar o Palácio do Planalto. Em sete meses, a nova sigla não conseguiu reunir 492.000 assinaturas validadas em cartórios eleitorais para obter o registro, conforme determina a legislação. Hoje, Marina fez questão de disparar contra a Justiça Eleitoral: “Somos o primeiro partido clandestino criado em plena democracia”.
"A derrota ou a vitória só se mede na história. Apressam-se aqueles que pensam que a história se resume em uma canetada". disse ela.

Com a Rede fora das urnas em 2014, Marina teve de buscar uma legenda para não correr o risco de perder seu capital político. Recebeu convites de sete siglas, como o PPS e o nanico Partido Ecológico Nacional (PEN). Mas optou por unir forças com Campos e firmar um documento que assegurasse a “integridade partidária” das duas siglas e disse que seguirá como "porta-voz da Rede". "Se não é possível um novo caminho, há que se aprender uma nova maneira de caminhar", afirmou.

"O compromisso dessa coligação programática é de manter as conquistas, reparar os erros e enfrentar os novos desafios. É o começo de uma caminhada. Vamos aprofundar nossos programas, mas com certeza isso não é a Marina entrando em um partido para conseguir uma legenda para ser candidata. É a Marina entrando em um partido para chancelar o programa da Rede e, na discussão democrática, adensar o programa de uma candidatura que já está posta."

Ela também fez questão de frisar que possui "diferenças" com Campos, mas disse que ambos "estão sendo cassados" no cenário político brasileiro. Sem citar o PT, atacou "aqueles que privatizam o estado para os partidos”. "Temos um governador que trabalha para viabilizar sua candidatura legítima a Presidência, que trabalha a duras penas de não ser cassado de forma diferente da minha, sendo minado."

Campos também citou em seu discurso a onda de manifestações que chacoalhou o país em junho. "Quem entendeu o que aconteceu em junho não tem nenhuma dificuldade de entender o que acontece aqui hoje", disse.





Assessoria de Comunicação com Agencia Veja

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